APLICATIVO PERMITE ALUNOS DESCOBRIREM A ARTE EM SALA DE AULA

Por Cíntia Dutra dos Santos, 1954646
Polo – Caxias do Sul
Data - 12/09/2017

Fonte: http://www.tecnoartenews.com/aplicativos-para-celular-2/aplicativos-de-museu/

O Aplicativo VisitArte permite alunos com deficiência visitarem museus de dentro da sala de aula.


A realidade da Escola Estadual de Ensino Fundamental Getúlio Vargas, no interior do Rio Grande do Sul, mudou desde o envio de tablets pelo governo, juntamente com a iniciativa privada. Esta parceria fez com que a tecnologia fosse levada para dentro da escola, tornando as aulas mais dinâmicas e inclusivas. Como é o caso do professor de arte Mario Deodato, que faz uso do aplicativo VisitArte, onde os alunos podem visitar museus sem sair da sala de aula, tornando possível maior envolvimento de portadores de necessidades especiais, já que o app conta com explicações em libras e áudio descrição de clássicas obras de arte.

O aplicativo VisitArte permite conhecer museus ao redor do mundo com explicações detalhadas sobre as obras que compõe o acervo. Além de idiomas variados, o visitante tem a possibilidade de explicações em libras atendendo assim os deficientes auditivos, conta também com áudio descrição visando assim atender deficientes visuais. Criado em 2016, pela Universidade Federal do Rio Grande Sul, o app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para smartphones e tablets com a plataforma Android. Diferentemente de sites onde, para visitação ao museu, é necessário estar conectado a Internet, o VisiTarte pode ser acessado em modo off-line.

O responsável pela criação do aplicativo, professor da disciplina de desenvolvimento de Softwares da UFRGS, Eliseu Drumond, conta que a inspiração para o projeto veio de casa, sua mãe já com a locomoção e visão prejudicadas pela idade avançada, apreciadora de arte, não poderia mais visitar museus conta própria. Isso foi o suficiente para o filho dedicado encabeçar o projeto de pesquisa que resultou no aplicativo. Com aceitação satisfatória por parte dos usuários, o professor Eliseu resolveu disponibilizar e divulgar o aplicativo para escolas públicas, onde poderia ser utilizados por alunos com necessidades especiais.

Quando o professor Mario Deodato teve conhecimento do aplicativo, viu a oportunidade de tornar as aulas de Arte, para os alunos do sexto ano do ensino fundamental, mais atrativas. Para ele, as aulas de arte não são mais as mesmas há algum tempo. O observar a obra de arte e simplesmente fazer uma cópia não basta. Os alunos querem mais, querem conhecer e vivenciar. Com o uso desde aplicativo é possível ter experiências reais.

Segundo Deodato, “As aulas de arte com alunos com algum tipo de deficiência, nem sempre foi tarefa fácil. No caso de alunos cegos, eles não demonstravam interesse na hora de visitar os museus da cidade. Estas mesmas visitas, geralmente com explicações faladas pelos guias, acabavam excluindo alunos surdos. Era bastante difícil descrever as obras em uma turma com diferentes tipos de deficiências”.

De acordo com o professor de Arte, isto mudou com o uso do aplicativo, pois os alunos podem visitar museus que muitas vezes a realidade deles não os permitiria, “Ontem mesmo estávamos no Louvre em Paris. Foi ótimo ver na língua de sinais a explicação sobre a história de como Da Vinci pintou a Mona Lisa, juntamente com o aluno Marcos”. O professor explica que agora os alunos tem maior curiosidade de conhecer novos locais e obras, mesmo que virtualmente, tornando as aulas mais participativas em sua disciplina.
A aluna Pamela, 11 anos, perdeu a visão ainda bebê, e conta que se sentia de fora das aulas de arte, mesmo com as tentativas do professor em inseri-la. Com o uso do VisitArte, através das áudio descrições pode vivenciar as mesmas experiências que seus colegas.

O aplicativo VisitArte  também pode ser utilizado em visitas físicas para portadores de deficiências aos museus. Até o momento, ele é compatível com 30 importantes museus do mundo e a intenção é aumentar este número. Através do código Qr Code disponível nas obras, o visitante faz a leitura com seu smartphone e escolhe a opção de descrição da obra, podendo ser em libras ou áudio descrição em diferentes idiomas.

O professor enfatiza que esta mudança e avanço em suas aulas, só foi possível graças a parceria entre o governo e empresas da cidade que doaram os 30 tablets para a escola. Os professores precisam se organizar para poder utilizá-los. Muitas vezes trabalham de forma multidisciplinar para poder aproveitar melhor este recurso e junto com ele as inúmeras possibilidades que se abriram nas áreas do conhecimento. Além de auxiliar na área da Arte, o aplicativo tornou-se uma ferramenta também utilizada por professores de outras áreas, como por exemplo, em história quando foi abordado o assunto Renascimento.

Diferentemente da E.E.E.F. Getúlio Vargas, a inclusão digital no mundo globalizado não é uma realidade que pertence a todas as escolas públicas, que ainda padecem com problemas básicos. O uso das tecnologias muitas vezes não está ao alcance da comunidade escolar. Porém iniciativas como essa nos permite sonhar com uma mudança no sistema de aprendizagem.

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